III – Novo Testamento x Torah – Um confronto com a verdade

3.1 Quando uma pessoa que se diz “judeus messiânico”, ou seja, que é um pretenso “judeu cristão”, vai rezar no “Muro das Lamentações” sente um terrível impacto: Há um Muro (Kotel), que subsiste há muitos séculos de História. Segundo a Fé judaica, essa grande Parede de pedras dá testemunho de que continuamos esperando o nosso Mashiach, como está escrito: “O meu Amado é semelhante ao gamo ou ao filho da gazela; Ele está detrás da nossa Parede, olhando pelas janelas, espreitando pelas frestas” ( Shir HaShirim 2:9). Ora, a própria continuidade da grande Parede do Kotel – o lugar mais sagrado do Judaísmo – até os nosso dias é um forte Testemunho da veracidade da Palavra do Eterno. Mas, ao mesmo tempo, suscita, para os cristãos e “judeus messiânicos”, uma triste lembrança – Jesus mentira, quando profetizou: “Em verdade vos digo não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada” (Mateus 24:2). As pedras do Kotel HaMaaravi continua umas sobre as outras. A profecia de Jesus falhou espalmadamente!

3.2 Não foi somente essa profecia de Jesus que não teve cumprimento. Há algumas mais dramáticas. Por exemplo, Jesus disse que seus discípulos não terminariam de pregar nas cidades de Israel e nem morreriam antes de verem chegar o “Filho do Homem” no seu reino – o que não aconteceu, como sabemos, até nossos dias – Mateus 10:23; 16:28; 24:14. Naturalmente, o Reino de D-us, nos precisos termos descritos por Daniel 2:44, é um Governo real, que acabará com os sistemas políticos terrestre e os substituirá, definitivamente, pelo terrestres e os substituirá, definitivamente, pelo Reinado da Casa de David. Se um cristão tenta convencer-nos de que a chamada “transfiguração” seria esse “reino”, realmente está delirando. O Reino de D-us não se sabe porque, nem poderia ser relatada para ninguém conforme ordem de Jesus (Mateus 17:9). Claro, se Jesus disse que seu reino “não é desde mundo” (João 18:36), mas o Reino de D-us é deste mundo e destruirá os demais reinos deste mundo e somente ele permanecerá (Daniel 2:44; Tehilim 110:1-8, texto heb.), ou seja, somente Israel restará (Jeremias 30:10,11; 46:28), o reino de Jesus deve ser outro planeta. Não admira que ele, nas duas mais importantes ocasiões em que poderia provar sua pretenção real, simplesmente agiu com covardia! (João 6:15; Mateus 26:63, 64). Sim, não quis assumir o que o anjo do evangelho sobre ele dissera: “D-us lhe dará o trono de Davi, seu pai! (Lucas 1:32). O trono de Davi era deste mundo!

3.3 Libertar uma pessoa que passou pela lavagem cerebral do “Novo Testamento” certamente não é fácil. Crer em mentiras deslavadas faz parte da teologia cristã. Um exemplo é a deturpação do relato do historiador judeu Flávio Josefo, no livro Guerra dos Judeus contra os Romanos (cap. 19, parte 321), sobre a morte de um homem chamado Zacarias, filho de Baraquias, no Templo, evento que ocorreu quase quarenta anos depois da morte de Jesus. No entanto, ao escrever seu evangelho, o discípulos Mateus apresenta Jesus dizendo que Baraquias era pai do Profeta Zacarias, sacerdote assassinado no pátio do Templo, em Jerusalém. Houve uma tremenda confusão em Mateus 23:35, porque o Zacarias morto a mando do ímpio rei Yash (Jeoás), tinha por pai Yehoiada, como se pode ver em Divrey Hayamim [2 Crônicas] 24:20. Assim, o Mateus tomou como matéria de fundo do seu relato um evento ocorrido muito depois da morte de Jesus, e por isso, ou Mateus não sabia que o Profeta Zacarias, que não é o mesmo escritor do Livro de Zacarias, tinha por pai outro homem. Essa confusão desmerece o relato.

3.4 Uma outra questão essencial na nossa rejeição de qualquer possibilidade de admitir o “Novo Testamento”, mesmo como livro histórico, é a intençao evidente com que os escritos foram deturpados, de modo geral, os escritos foram deturpados, de modo geral, para fundamentar o anti-semitismo que norteou o morticínio dos judeus nestes quase dois mil anos de supremacia do cristianismo. O deboche atinge o auge quando Israel é simplesmente substituído pelos gentios, como se todos os juramentos Divinos, feitos aos nosso antepassados, fossem promessas passíveis de alteração. Os constantes ataques contra os fariseus, de parte de Jesus, realmente mostram que ele não cumpria nem sequer o que ensinava, quanto a não retaliar os inimigos. Segundo Mateus e Lucas, o mestre foi muito além, põe os “filhos do reino” – os judeus – no inferno, e os gentios são contemplados, no Mundo Vindouro, com a vida eterna junto com Avraham, Yitzchak e Yaakov, e todos os Profetas (Mateus 8:11 12: 13:28, 29) assim ao invés de serem os judeus os reunidos dos quatro cantos da Terra, com predito (Isaías 43:5-7; 49:12), a igreja pretende ser destinatária, no lugar dos israelitas, das promessas de restauração e, para isso, transformou os gentios em substitutos dos filhos de Avraham. No entanto, no Propósito Divino, os não-gentios são chamados a participar da alegria do Povo de Israel, o Povo salvo pelo Eterno, e não a usufruir a a Redenção, exclusivamente, ou como substitutos dos judeus (Devarim 32:43; 33-28, 29).

3.5 Da leitura do “Novo Testamento”, ressalta-se a única conclusão possível: não se trata de uma mensagem Divina, dadas as hostilidades contra a santa Torah. A aceitação desse conjunto de heresias – além da generosa prosposta de Rav Rambam, de que D-us pode usar tanto o Nazareno quanto o Ismaelita, como instrumentos para “pregar o caminho para o Rei-Messias, moldando o mundo todo para servir a D-us conjuntamente” [Mishnê Torá, Imago, p. 296] – é realmente repudiar a Torah, e os Profetas. Nesse caso, jamais poderemos, como judeus, trair nossa fé ancestral, em razão da qual fomos constituído o povo santo e especial de nosso D-us. Nesse diapasão, devemos identificar o perigo que causará á nossa segurança espiritual manter amizade com quem se esforça em nos afastar da Torah para crer num “senhor morto”, num falso messias e num deus desconhecido de nossos Patriarcas. É mister recuperar a plena consciência de que não é possível fazer um amálgama de doutrinas judaicas e cristãs. Simplesmente, isso é impossível. Quando nos deparamos com pessoas sejam elas quem forem que desejam nos seduzir para crer no falso messias com tais, porque estaríamos adentrando no caminho da idolatria, para adorar outro Deus, que não o KADOSH BARUCH HU. Lembremos-nos, portanto, da advertência da torah: “se teu irmão, filho de tua mãe, ou teu filho, ou tua filha, ou a mulher de teu amor, ou o amigo que amas como a tua própria alma te incitar em segredo, dizendo: “vamos e sirvamos a outros deuses, que não conheceste, nem tu, nem teus antepassados, não concordarás com ele, nem o ouvirás; não o olharás com piedade, não o pouparás, nem o esconderás…” (Devarim 13:6-8). O desprezo a tais pessoas é a nossa segurança espiritual. Descarta-se, daí, a possibilidade de ecumenismo perigoso.

3.6 Uma das dificuldades adicionais da aceitação da messianidade de Jesus Nazareno, além do fato dele não ser descendente de David Melech (pois os evangelhos dizem que José era apenas seu pai adotivo, e nessa situação nem mesmo ele poderia ser aceito na Congregação de Israel, por ser um bastardo – Devarim 23.2), é o tempo decorrido desde sua vinda e o não – cumprimento das profecias que, na visão dos Profetas de Israel, teriam imediata realização como promessas messiânicas. O cristianismo falhou em tudo. O cenário do mundo atual, a par das desgraças perpetradas pelos professores seguidores do Nazareno contra o nosso povo, comprova a fraude que o cristianismo tem patrocinado para a sofrida humanidade. É por isso que nós – judeus, não podemos assimilar essa fé decadente, essa farsa gritante e aceitar o espúrio messias dos Cristãos. Precisamos ser livres do ideário cristão, porque suas expectativas são falsas, seus ensinos contradizem a nossa Torah e nós, judeus, temos todo o arcabouço da sabedoria infinita para nos guiar até à chegada do nosso Mashiach, cuja vinda anelamos todos os dias.