Isaías conforme o Judaísmo

Expondo a farsa dos comentários cristãos sobre a suposta invenção rabínica.
“Quem é ele? O Mistério de Isaías 53”.

O nome para esta publicação é apenas sugestivo visto que, na verdade, o que foi recebido no Sinai foi uma única Torá. Em nossos dias, porém, as divisões no meio religioso judaico tende a levar a pessoa que vê de fora como algo natural, pois “todas as religiões tem suas facções! Isto é comum no cristianismo, é comum no islamismo, e demais religiões e credos. Por que não o seria no judaísmo?”.

Contudo, o judeu, por menos religioso que seja sempre perguntará:
“O que está acontecendo conosco?” – na verdade, todos sabem:
é fruto da diáspora, longa, dura e sofrida.

Ela nos faz querer ser como as nações e eles têm suas distintas facções em todos seus “ismos”.

Cartaz usado por Jews for Jesus para evangelizar Judeus.

O judeu deve compreender que a palavra “religião” é totalmente estranha à língua hebraica, e que a expressão “fé” – do latim “fides” – nada tem em comum com a palavra hebraica “emuná”, comumente traduzida por “fé”.

A palavra “religião” deriva do verbo latino “religare”, (ou seja, religar) e exprime idéia proveniente do antigo paganismo greco-romano segundo a qual se acreditava estar o homem desligado (por seus pecados – outra palavra estranha às línguas semíticas em geral) de seu deus, devendo a ele religar-se (religare) por meio de algum feitio, conforme determinado pelos sacerdotes de cada culto.

Essa forma de pensar não é originária da Torá. Entretanto entre os membros de seitas cristãs direcionadas ao evangelismo de judeus, este uso é comum, sua origem está nos credos pagãos dos quais o Cristianismo recebeu influências exteriores à recebida dos primeiros apóstolos, que eram judeus.

No hebraico atual, por tratar-se de um idioma antigo – tido por dois milênios como língua morta – sendo ressuscitado no século passado, há uma necessidade de traduzir termos “internacionais” ao idioma hebraico, e “religião” faz parte da longa lista daquilo que se convencionou chamar de Ivrit, hebraico moderno.

A Torá é uma constituição divina outorgada por D’us, que a dirige a toda nação israelita (como um todo) bem como o indivíduo judeu particular. Ao se falar em constituição divina muitos estranham tal afirmação, inclusive muitos dos próprios judeus, pois, a ausência de fé entre as pessoas é uma característica moderna, porém, muito preocupante, pois a ditadura da razão é tão perigosa quanto o fanatismo religioso.

Os modernizadores e impetuosos pelo progresso – preferem uma “linha” mais aberta, mais “normal para nossa época”, menos ligada aos velhos que passavam quase todas suas vinte e quatro horas mergulhados no Talmud, quase sempre ranzinzas (pela visão alheia) – por ver os netos e bisnetos “mal vestidos”, ou seja, segundo o ponto de vista da Torá – indecentemente.

Por mais difícil que pareça aos “olhos modernos”, devemos cumprir com o que nos foi ordenado no Sinai, admitindo ser a Torá transcendental, sem mudar em nada – e não por misoneísmo, ou por modernismo, senão por que ela não está submetida ao tempo, nem pode envelhecer ou modificar-se.

Caso alguém venha te dizer: “- A Torá não foi dada para nossa época!”, ou: “- Os tempos mudaram!” – dirá a esta pessoa que sua primeira afirmação está errada e a segunda, correta, mas não por ela vivemos, pois o ser humano é dinâmico – e seus “tempos” mudam (constantemente).

O modernismo com suas regras ditatoriais de razão têm a tendência, por exemplo, de pensar que a roupagem ortodoxa feminina é algo “da antiga”, que as pessoas devem vestir-se “modernamente”, segundo a moda; nada de roupas que lembrem a bisavó!

Por acaso você que anda sem camisa se acha mais moderno que os antigos gregos?Com suas corridas olímpicas de jovens nus, homens sem camisa e trajando roupas minúsculas? – isto – por que não dizem ser coisa do passado?

O “modernismo” é muito, mas muito subjetivo… Vestir-se com prudência mais do que um mandamento religioso: é virtuosidade.

É recato, é valorização, especialmente no mundo atual no qual prolifera a pornografia, e as mulheres e suas fotos são propagandeadas como objetos de prazer sensual.

Mas, quantos vêem isto assim? Quantos entendem que as mulheres judias que se vestem de maneira “diferente” das “roupas modernas”, na verdade se valorizam, não por imposição masculina ou algo pelo estilo, senão por pura auto-estima?

Quantas mulheres se dão conta de que a maior beleza feminina acha-se em seu recato, em sua auto-estima como mulher, como ser humano, não como objeto para o desejo dos olhos masculinos?

Simplesmente – esta miscelânea de pensamentos é influenciada pela longa diáspora que nos afasta do que realmente somos, e do que D’us realmente requer de nós como judeus: o cumprimento da Torá tal e qual ela é.

Por isto, para um “entender” melhor, “Isaias segundo o Judaísmo”, mas sempre lembrando que “ismos” não são nossos, apenas a Torá e o judeu.

Mashiach Now!

Divisão capitular da Bíblia

A palavra “bíblia” vem do grego “biblos”, é de origem puramente eclesiástica.

Sua etimologia traduz-se como “coleção de livros pequenos”, isto porque os livros da mesma são pequenos, todos formando um volume não muito grande.

“Biblos” era o nome da casca de um tipo de papiro do século XI AEC.

A uma folha de papiro os gregos chamavam “biblos”, a um rolo pequeno de papiro chamavam “biblon”, cujo plural é “bíblia”. Os primeiros a utilizarem a palavra “Bíblia” para designar as Escrituras Sagradas foram provavelmente os discípulos de Jesus, de Nazaré (pós-apostólicos), provavelmente lá pelo século II EC. Entre os judeus as escrituras são tratadas de Tanach, acrônimo de Torah, Neviim e Ketuviim, composto por 24 livros nesta ordem:

Torá (Pentateuco) :
• Bereshit (Gênese)
• Shemot (Êxodo)
• Vayicrá (Levítico)
• Bamidbar (Números)
• Devarim (Deuteronômio)

Neviim (Profetas):
• Yehoshua (Josué)
• Shofetim (Juízes)
• Shemuel (Samuel)
• Melachim (Reis)
• Yesha’yáhu (Isaías)
• Yirmiyáhu (Jeremias)
• Yechezekel (Ezequiel)
• Trê-assar (Doze Profetas)

Ktuvim (Escrituras Sagradas):
• Tehilim (Salmos)
• Mishlê (Provérbios)
• Iyov (Jó)
• Shir Hashirim (Cântico dos Cânticos)
• Rut (Ruth)
• Echá (Lamentações)
• Cohêlet (Eclesíastes)
• Ester
• Daniel
• Ezra/Nechemyá (Esdras/Neemias)
• Divrê-Hayamim (Crônicas)

Quando mencionada neste trabalho, a palavra “bíblia” relaciona-se unicamente aos livros do Tanak, não sendo indicativo de livros estranhos ao judaísmo tais como Novo Testamento, Brit Chadashá etc.

A divisão de pessukim (versículos) e parshiyot (porções) da Torá foi revelada a Moshê no Monte Sinai. A divisão de pessukim bem como a compilação dos Neviim e Ketuvim é dos Homens da Grande Assembléia (Anshê Cnesset Haguedolá), no início do Segundo Templo.

No pergaminho da Torá, existe outra divisão chamada de “parshiyot ptuchot e stumot”, representada por espaços entre os textos. Esta é a divisão original revelada a Moshê. Existe outra antiga tradição judaica chamada de “sedarim”, pela qual o Chumash é dividido em 154 porções.

Este era o costume na época em que o ciclo da leitura da Torá em publico levava três anos.

Em nossos dias, a leitura da Torá é dividida em 54 porções, e o ciclo é completado uma vez ao ano. A divisão dos Perakim (capítulos), tanto da Torá, quanto dos Neviim e Ketuvim, são de origem relativamente recente, criada por monges cristãos no século treze. É nesta divisão de origem totalmente cristã que devemos ter muito cuidado e atenção.

Alguns cristãos insistem em dizer que esta divisão foi amplamente aceita pelos judeus. Mas quando imposição passou a ser sinônimo de concordância?

Estudos históricos mostram que esta divisão “importada” foi imposta pela mão pesada da igreja Católica em diversas comunidades. Esta divisão, universal só começou a aparecer em edições do Tanach pelo final do século XV EC.

Apesar de funcional, é totalmente aleatória, imprecisa e devido a isto causa inúmeras distorções. O judeu ao manusear uma edição em português da bíblia deve utilizar sua divisão apenas como ferramenta facilitadora para localizar um texto, nunca aceitá-la como precisa e confiável, até porque não é judia.

O judeu deve perguntar: Que critérios os cristãos utilizaram para esta divisão?

Quais os verdadeiros interesses em separar um texto como dois capítulos distintos?

Para quem escreviam?

Outras perguntas podem ser formuladas, mas no geral, para todas estas, a resposta é uma só. A igreja Católica, instituição, tinha como objetivo firmar Jesus, de Nazaré, como o Messias descrito nas Escrituras Hebraicas, para tanto matou o homem e criou o mito, e para isto – como dizia o Bispo de Nezanianus – fraudar (as escrituras) era uma das opções.

E esta opção, infelizmente, foi utilizada crassa e escandalosamente com as bênçãos papais. E muito dos que os cristãos têm hoje e crêem como divino não passa de fruto de fraudes e fabricações efetuadas por homens, autoridades católicas, as únicas que tinham autorização e acesso ao “conhecimento”.

Os membros das organizações missionárias que tem como objetivo evangelizar judeus, estranhamente criticam duramente a Igreja Católica, numa tentativa de se mostrarem solidários e próximos dos judeus pelos crimes do passado, no entanto, utilizam as ferramentas distorcidas desta mesma instituição que tanto criticam, se apegando aos textos e a ideologia que ela fabricou.

É lamentável e surpreendente.

O judeu não pode esquecer que o sofrimento imposto a Israel em nome daquele que se disse “messias” cumpre uma profecia de Daniel:
“Muitos dentre o teu povo se insurgirão, erguendo-se como ‘profetas’ e fracassarão” (Daniel 11:14).
Pergunte-se!

Pode haver fracasso maior? Maimonides explica: Todos os profetas falam que o Messias vem redimir o povo judeu, salvá-lo, reunir seus dispersos e fortalecer os mandamentos da Torá. Jesus, no entanto, causou a perda do povo judeu pela espada, dispersou seus sobreviventes e rebaixou-os, trocou a Torá e iludiu grande parte do mundo, para servir a outros deuses além de D’us.

Não pense, no entanto, que adulterar as escrituras para atender objetivos particulares de uma religião altamente proselitista seja exclusividade dos missionários engajados em evangelizar judeus, outras crenças usam do mesmo expediente. Por estarmos no Brasil não conhecemos esta “pressão”, mas ela existe:

Deuteronômio 18:15 – “Profeta do meio de ti, dentre teus irmãos, como sou eu, te fará surgir o Eterno em todas as gerações; a ele ouvireis”.

As traduções em língua portuguesa da bíblia omitem uma parte considerável do versículo, exatamente onde diz “em todas as gerações”.

Esta omissão é proposital, para induzir o leitor ao erro, passar a falsa impressão que ali se fala de alguém específico, exemplo, Jesus, de Nazaré. Mais um expediente de fraude. O livro de outra religião também faz citação deste versículo: “Profeta do meio de ti (ismaelitas), como igual a ti (Mohamed) te faz surgir Alah…”.

Verifique que o mesmo versículo foi utilizado por duas grandes religiões para justificar seus “líderes”, e sabemos que, na verdade o versículo não se refere nem a um e nem ao outro. É a isto que o judeu deve ficar atento, o uso distorcido de passagens bíblicas e pensar: A que interesses serviam os responsáveis por estas divisões distorcidas das escrituras hebraicas?

Perspectiva Judaica sobre o Messias

Se você tem uma dúvida sobre metabolismo, não perguntaria a um carpinteiro – mas sim a um médico. Se possuir uma questão sobre uma lei específica, procura se informar com um advogado; melhor ainda, poderia perguntar ao político que a propôs e a transformou em lei.

Assim é com ” Messias”: a palavra “messias” vem do conceito judaico de Mashiach, ou “o ungido.” Desta forma, o judaísmo tem primazia para lhe dizer o que realmente significa “o Messias”.

Mashiach e a Era de Mashiach são pedras fundamentais do judaísmo.

A filosofia judaica declara que o Divino Plano de D’us para a Criação será realizado com o advento da Era de Mashiach. Os Profetas estão repletos de referências e descrições do indivíduo que será Mashiach, e de como será o mundo após a mudança que ele introduzirá.
1 – Ele será um descendente do grande Rei David.
2 – Ele será um indivíduo excepcionalmente justo e preeminente erudito de Torá.
3 – Ele inspirará a todos a retornar sinceramente a D’us.
4 – Ele será um líder muito carismático e poderoso que liderará pelo exemplo.
5 – Ele terá aquilo que é conhecido como uma alma “coletiva” ou “geral”. Esta alma mestre possibilitará a ele relacionar-se com pessoas de todos os níveis.
6 – Ele exigirá e conseguirá grandeza de toda a humanidade.
7 – Ele fará acontecer aquilo que é descrito como “a reunião dos Exílios” – o retorno de todos os judeus à Terra Santa, Israel.
8 – Ele reconstruirá o Templo Sagrado.
9 – Ele será um Ser Humano – não uma divindade.

A Era Messiânica é descrita nos Profetas como sendo um tempo de paz universal. Não haverá mais sofrimento humano, pois todas as doenças serão erradicadas, bem como a fome e outros problemas.

O povo judeu retornará em massa à Terra Prometida, e reconstruirá o Terceiro e definitivo Templo Sagrado em Jerusalém.

O propósito de todos estes eventos mágicos é permitir que a humanidade se concentre, sem distração, na completa espiritualidade.

Por este motivo, o Profeta escreve a respeito da Era de Mashiach que…
“O mundo estará repleto do conhecimento de D’us como as águas cobrem o leito do oceano.”

Se você acha que isso é muito cataclísmico para você enfrentar, pense:

Mashiach vem como resultado de nossas boas ações coletivas, quer dizer, eu e você!
Portanto, podemos realmente trazer Mashiach?
Podemos concretizar a paz mundial?
Com a Torá e mitsvot, D’us nos deu as ferramentas para fazer exatamente isto!

O Profeta Isaías:
Isaías é considerado o maior profeta do Tanach, o profeta da Justiça.
Nascido provavelmente por volta do ano de 760 a.e.c., de uma família nobre com origem no Reino de Judá foi chamado pelo Eterno no ano de 740 a.e.c. para anunciar profecias, e o fez por cinqüenta anos.

O livro de Isaías compõe-se de duas partes:
Na primeira, os capítulos de 1 a 39 contêm freqüentes alusões ao próprio Isaías e ao seu tempo e se encaixam no ambiente dos acontecimentos dos reinados de Osias, Joatão, Acaz e de Ezequias.

Na segunda, os capítulos de 40 a 66 fazem referência a uma época posterior.

Nestes capítulos, o profeta se dirige aos israelitas deportados ou já reintegrados em sua pátria após dominação sob os assírios.

Durante esta investida, Isaías se insurgiu contra a idolatria, ameaçou os ricos, poderosos e elevou a sua voz contra a hipocrisia e com todos aqueles que se comportavam de forma frívola.

Com muita veemência ele chamou o povo ao arrependimento e às práticas dos preceitos judaicos. É aí então que ele convoca todos os israelitas a abrir um caminho para o Senhor.

O profeta Isaias faz diversas menções ao Mashiach (Messias) e a Era Messiânica, e talvez por isso seja o profeta mais destorcido pelos missionários de seitas obstinadas em “converter” judeus.

Este trabalho é focado apenas no “Capítulo 53” – entre aspas – que comumente é citado no processo de “convencimento”.

Os trechos dos versículos são explicados ponto por ponto. Foi utilizado uma versão não judaica da Bíblia e muitos podem se perguntar, por quê?

Para deixar evidenciado que mesmo numa tradução carregada de distorção o capítulo é aquilo que sempre foi: Isaías falando de Israel (os judeus).

O texto não judaico é acompanhado de uma tradução judaica em língua portuguesa da bíblia hebraica publicada pela Editora Sefer.

Os judeus, em geral, não se prendem a este tipo de discussão frívola sobre o “capítulo 53” de Isaías, que não leva ao crescimento e maior prática de mitsvot, pois as “missões” do messias estão bem especificadas e sabemos que historicamente Jesus não as cumpriu.

Lendo o texto de Isaías integralmente sem a imposição da divisão de capítulos cristã todos sabem que é continuação natural do capítulo anterior – 52:13 – onde Meu servo é Israel (o povo judeu).

Os membros de cultos que se passam por judaísmo se apegam ao termo ‘meu servo’ como exclusivamente falando de Jesus, mas é interessante o judeu notar que o Mashiach (messias ungido final) não é chamado diretamente de meu servo em nenhum livro da bíblia, entretanto Israel é assim constantemente identificado, principalmente no livro de Isaías.

O judeu tendo conhecimento de todos estes fatos antes de se impressionar (normalmente por falta de conhecimento de seu próprio judaísmo) com a apresentação deste capítulo, deve ter a seguinte percepção: o fato dos membros das seitas que se apresentam como “judaísmo” enxergarem neste capítulo o falso messias Jesus, de Nazaré, não quer dizer que este capítulo fale de Jesus.

Entenda melhor. Quantos de nós já lemos ou ouviu alguma notícia (até no trabalho) e achamos que a mesma se referia a um fato ou determinada pessoa, e, mais tarde descobrimos que o que foi transmitido não tinha nada a ver com quem imaginávamos?

O fato de alguém acreditar que a “notícia” do “capítulo 53” fala de Jesus, não quer dizer que dele fale. Lembre-se, mataram o homem e fabricaram um mito.

O Capítulo 53

O texto no judaísmo começa aqui:
Eis que há de prosperar Meu servo (o povo de Israel); será exaltado e há de se elevar bem alto. Assim como antes, multidões ficavam estarrecidas ao vê-lo, (dizendo) ‘Sua aparência está desfigurada e não parece humana sua forma’.

Assim, muitas nações admirar-se-ão depois, e reis se calarão perante ele, porque verão o que jamais lhes fora previsto e perceberão o que nunca haviam escutado:
Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do Senhor?
(Quem teria acreditado no que nós ouvimos, e para quem foi revelada a ação do Eterno?) …à nossa pregação?

O termo “pregação” aqui não traduz o termo que vem em hebraico, que é o mesmo que indica tudo o que foi oralmente recebido por Israel, de D’us, diretamente no Sinai. Os missionários se prendem ao escrito, que é a síntese do outorgado no Sinai a todo Israel, formando dele, a partir daqui, novas ideologias totalmente estranhas ao judaísmo, cujo fundamento real está nas antigas religiões pagãs da antiguidade, como a idolatria a Mitra, Tamuz e similares.

…o braço do senhor?
Mas para quem se manifestou o braço forte do senhor? Senão ao povo de Israel, ao tirá-lo do Egito por seu braço forte e outorgar-lhe a Torá?

Pois foi crescendo como renovo perante ele, e como raiz que sai duma terra seca; não tinha formosura nem beleza; e quando olhávamos para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos.
(Porque ele [o povo de Israel] brotou como planta tenra e como raiz seca.
Não tinha nem forma nem beleza; era visível que não tinha boa aparência; quem o apreciaria?)
…e como raiz que sai duma terra seca;

Aqui, não somente ao sair do Egito como escravos fugitivos, mas também em várias fases da história. Em diversos casos fugitivos dos próprios cristãos. Jamais foi o povo de Israel bem visto pelas nações, salvo em raras exceções, preço por aceitar e adorar o único e indivisível D’us.

Era desprezado, e rejeitado dos homens; homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.
(Foi depreciado e abandonado por todos, como uma pessoa atormentada e constantemente enferma, como alguém de quem escondemos nossa face, sendo desprezado e desconsiderado)

…e rejeitado dos homens; homem de dores,
Quem é o rejeitado, até hoje, ainda por muitas nações? Somente no período messiânico reconhecerá ás nações o mal que fizeram aos judeus por toda sua história.

…era desprezado, e não fizemos dele caso algum.
Quem continua desprezado pelas nações ainda hoje? Israel. Quando Israel (os judeus) morria em campos de extermínio “e não fizemos dele caso algum”. Como pode se percebido, o fenômeno é bem conhecido ainda em nossos dias.

Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.
(Na verdade, eram os nossos sofrimentos [das nações] que [Israel] suportava, e as dores que o oprimiam, mas nós o considerávamos um ser aflito, golpeado e ferido por D’us.)

…as nossas enfermidades,
Sim, Israel tomou para si as “enfermidades” das nações, pois, o pacto de D’us com Noé obriga a todas as nações a cumpri-lo, e a partir do momento que deixassem de cumprir, toda a humanidade, lugar após lugar, seria destruído, como aconteceu com Sodoma e Gomorra, que foram os primeiros a abandonar todos os pormenores do pacto.

A existência de uma nação obrigada a observar um pacto mais difícil – 613 mandamentos pelos sete dos filhos de Noé – traria o mérito de sobrevivência para os demais, mesmo após haverem esquecidos os preceitos de Noé, como já ocorre a mais de três mil anos.

…e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus,
Aflito, Israel (o povo judeu) sempre foi afligido, nos últimos dois mil anos, principalmente pelos cristãos, que nos acusaram de deicídio – assassinos de D’us – como se D’us pudesse ser morto.
Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
(Ferido estava, porém, por nossas transgressões [das nações], e oprimido por nossas iniquidades; seu penar era para nosso benefício e, através de suas chagas [exílio], fomos curados.)

…por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa de nossas iniquidades;
Por saber D’us que o mundo abandonaria o pacto feito com Noé, fez-se necessário um pacto com uma nação. Este pacto foi oferecido antes a outras nações, mas, todas rejeitaram, os judeus o aceitaram. Este pacto eterno inclui servir de exemplo do castigo para ás nações quando Israel (os judeus) estivesse espalhado e sofrido.

Nisto está à nação israelita sofrida devido ás iniquidades das nações, que abandonaram tão cedo o que lhes fora conferido após o dilúvio.

Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.
(Todos nós, como ovelhas, nos desencaminhamos. Cada qual voltou-se para seu próprio caminho e sobre ele [Israel] fez o Eterno recair a iniquidade de todos nós.)

Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca; como um cordeiro que é levado ao matadouro, e como a ovelha que é muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a boca ([Israel] foi oprimido e afligido, mas calou e não se pronunciou.
Como cordeiro que é levado para a matança, e como ovelha que fica muda ante seus tosquiadores, não abriu sua boca)

…mas não abriu a boca;
Israel não se desfez da obrigação de seguir arcando com as penas do pacto do Sinai, seus deveres, pois tanto em cumprimento como em transgressão, o povo judeu está cumprindo com o plano de D’us.

Pela opressão e pelo juízo foi arrebatado; e quem dentre os da sua geração considerou que ele fora cortado da terra dos viventes, ferido por causa da transgressão do meu povo?
(Com opressão e juízo iníquo foi aprisionado; acaso alguém [das nações] argumentou para com sua geração: ‘Ele [Israel] foi exilado da terra dos vivos pela transgressão do meu povo, e por isso recebeu esse duro golpe’?)

…pela opressão e pelo juízo foi arrebatado;
Subentende-se em hebraico: sem que fosse levado à prisão com esperança de julgamento, e sem que fosse julgado, foi lhe dada à morte – e isto é ainda realidade para Israel (os judeus) que está entre as nações, como vimos há apenas meio século atrás na Europa.

E deram-lhe a sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte, embora nunca tivesse cometido injustiça, nem houvesse engano na sua boca.
(E seu túmulo foi feito entre os dos malévolos, e sua tumba feita pelos poderosos, embora não tivesse praticado violência nem houvesse mentira em sua boca.)

…e com o rico na sua morte.
São as acusações de usura a Israel (os judeus) imposta pelos cristãos e as exterminações e progroms ocasionados pela forma como eram vistos por essa ocupação. Os gentios, depois os cristãos, não lhes concediam direitos, e na maioria dos casos obrigavam Israel (os judeus) a ocupar-se somente disto, da usura. Mas os gentios e os cristãos somente conseguiam vê-lo, Israel, (os judeus) como ricos e ímpios, e esta “riqueza” ao invés de benção, se tornou maldição, e em geral levava Israel (os judeus) a sepultura (a morte). E quando pobre, Israel (os judeus) era culpado de trazer pestilências e outras calamidades.

Todavia, foi da vontade do Senhor esmagá-lo, fazendo-o enfermar; quando ele se puser como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos.
(Contudo, aprouve ao Eterno oprimi-lo para testar se sua alma se ofereceria como restituição, para que pudesse ver prolongado os dias de sua semente, e sentir prosperar, por seu intermédio, os desígnios do Eterno)

Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo justo justificará a muitos, e as iniqüidades deles levará sobre si.
(Ele percebeu o propósito e aceitou o sofrimento de sua alma. Por esta compreensão, fez reconhecer o Justíssimo perante todas as nações, suportando a iniqüidade delas)

…ele verá o fruto do trabalho de sua alma, e ficará satisfeito;
O consolo que merecerá o servo Israel, o povo judeu na Era Messiânica por ter servido ao desígnio de D’us em relação à humanidade, e por todas as gerações.
Pelo que lhe darei o seu quinhão com os grandes, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma até a morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e pelos transgressores intercedeu.
(Por isto, das nações separei para ele uma porção e entre os poderosos receberá despojo, porque expôs sua alma à destruição e se deixou enumerar entre os transgressores, pois mesmo suportando os pecados de tantos, intercedeu pelos transgressores.)

Não vos assusteis nem temais; não vos anunciei e vos fiz conhecer desde aquele tempo? Vós sois as Minhas testemunhas! Porventura há outro D’us além de Mim? Não! Não há outra rocha. Nenhuma outra conheço, nem conhecereis. Isaías 44:8.