Não se preocupe Jerusalém. D-us está Conosco!

O significado real da profecia de Isaías 7.

Explicamos no artigo anterior como os Cristãos mudaram a tradução de Isaías 7:14 e inventaram o mito sobre o nascimento de Jesus. Hoje vamos entender o propósito dessa profecia de Isaías e porque é impossível que esteja falando de Jesus.

Vamos começar com o contexto histórico. Conforme aprendemos na Bíblia, após a morte do Rei Salomão o reino de Israel se dividiu em dois, reino de Israel no norte com a capital em Shomrom (Samaria) e o reino de Judá, no sul, com Jerusalém como capital. Desde o começo de sua história, o reino de Israel se desviou e fez o que era errado aos olhos de D’us. Já o reino de Judá, liderado pelos herdeiros da Casa de David, se mantiveram fieis durante muitos anos. Em alguns momentos da nossa história os dois reinos travaram guerras entre eles. Essa profecia de Isaías é sobre um desses confrontos.

“Quando Achaz, filho de Iotan, e neto de Uziahu, era rei de Judá, o rei Retzim, de Aram (Síria), e Pecah, filho de Remaliahu, rei de Israel, atacaram Jerusalém, mas não puderam vencê-la.E foi dito à Casa de David: Aram se aliou com Efraim (Israel). Com isso o coração de Achaz e o coração do seu povo agitou-se, como as árvores da floresta agitam-se com o vento.” (Isaías 7:1-2).

O rei Achaz e o povo de Jerusalém temeram muito, pois pecaram contra D-us que os castigou, permitindo que os dois reis aliados destruíssem outras cidades de Judá .

“Num único dia, Pecah, filho de Remaliahu, matou cento e vinte mil soldados corajosos de Judá; pois Judá havia abandonado o Eterno, D-us dos seus antepassados.” (2 Crônicas 28:6).

“Os israelitas levaram para Samaria duzentos mil prisioneiros dentre os seus parentes, incluindo mulheres, meninos e meninas. Também levaram muitos despojos.” (2 Crônicas 28:8).

Quando os dois reis chegam a Jerusalém o rei e o povo ficam apavorados mas D’us envia o profeta Isaías para confortá-los.

“Então o Eterno disse a Isaías: “Saiam, você e seu filho Shear-Iashuv, e vão encontrar-se com Achaz no final do aqueduto do açude Superior, na estrada que vai para o campo do Lavandeiro. Diga a ele: ‘Fica tranquilo, acalme-se e não tenha medo. Que o seu coração não se desanime antes as fagulhas destas duas brasas fumegantes, da ira exaltada de Retzim e Aram e do filho de Remaliahu.” (Isaías 7:3-4).

O profeta Isaías conforta o rei de Judá, dizendo que D’us estará com ele e não deixará que os inimigos prevalecam. Mas Isaías não para por ai, além de dar o recado ele desafia o rei a pedir a D’us um sinal como prova de que a profecia se cumprirá.

“Peça para ti um sinal ao Eterno, teu D’us, um sinal miraculoso, seja das maiores profundezas, seja das alturas mais elevadas. Mas Achaz disse: “Não pedirei; não porei o Eterno à prova”. Disse então Isaías: Ouça agora, Casa de Davi! Não te basta desdenhar dos homens, também vai desdenhar do meu D’us? Por isso o Eterno mesmo vos dará um sinal: a moça está grávida e dará à luz um filho, e ela o chamará Imanuel (D’us está conosco). Ele comerá nata e mel até a idade em que saiba rejeitar o mal e escolher o que é bem. Mas antes que o menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra dos dois reis que você teme ficará deserta. O Eterno trará o rei da Assíria sobre você e sobre o seu povo e sobre a descendência de seu pai. Serão dias como nunca houve, desde que Efraim se separou de Judá.” (Isaías 7:11-17).

Qual o sinal que D’us “deu” para o rei Achaz? Uma moça (obviamente conhecida dele) que “já estava grávida” daria a luz, em breve, a uma criança, e antes que essa criança crescesse o suficiente para distinguir o certo do errado seus dois inimigos não mais existiriam. Obviamente que esse sinal teria que ser algo que o rei pudesse verificar e com isso garantir que a profecia seria cumprida. Se a profecia fosse sobre uma ‘virgem’ desconhecida dando a luz quase mil anos depois, como isso serviria de sinal para o rei Achaz? Como uma profecia sobre a vinda do Messias séculos depois comfortaria o coração do povo nesse momento?

A profecia foi cumprida naqueles dias como a Bíblia nos relata.
Sobre a destruição de Aram e Israel pela Assíria:

“Então o rei da Assíria atendeu ao pedido de Achaz, atacou Damasco (capital de Aram) e a conquistou. Deportou seus habitantes para Kir e matou a Retzim.” (2 Reis 16:9).

“Durante seu reinado, Tiglate-Pileser, rei da Assíria, invadiu e conquistou Iom, Abel-Bete-Maaca, Ianoa, Kedes e Hazor. Tomou Gileade e a Galiléia, inclusive toda a terra de Naftali, e deportou o povo para a Assíria. Então Hoshea ben Elah, conspirou contra Pecah, filho de Remaliahu. Ele o atacou e o assassinou, tornando-se seu sucessor no vigésimo ano do reinado de Iotan ben Uziahu.” (2 Reis 15:29-30).

Basta ler o capítulo 07 de Isaías do começo, e não somente um verso isolado, para entender claramente que a profecia não se trata de Jesus, muito menos de uma virgem dando a luz mil anos depois. Mas os cristão sabem bem disse, afinal conseguem ler. Então como eles respondem? Eles alegam que essa é uma dupla profecia, que certamente foi cumprida naqueles dias mas que também foi cumprida por Jesus.

Essa resposta, além de não fazer o menor sentido, também não tem nenhum embasamento bíblico. Esse seria o único sinal dado por um profeta desse tipo. Não só isso, de acordo com os cristãos então eles têm que admitir que naqueles dias então outra virgem também deu a luz. Outra pergunta, que outros dois reis foram então destruidos quando Jesus ainda era pequeno e não sabia distinguir o mal do bem???

Nesse capítulo encontramos duas pessoas com nomes especiais e que também são sinais para o povo Judeu. De acordo com nossos sábios esse nomes carregaram mensagens importantes ao rei de Judá. Quando D’us envia o profeta Isaías, Ele manda levar seu filho “Shear Iashuv”. Mas porque? Que papel Shear Iashuv, nunca mencionado antes ou depois em toda a Bíblia, teve nessa história?

A resposta é que ele mesmo e seu nome já eram um sinal para o rei de Judá. Shear Iashuv significa “Os remanescentes retornarão para mim” (ver Rashi). Ou seja, como vimos anteriormente, centenas de milhares de judeus foram mortos e capturados durante a guerra, mas quando o inimigo chegou a Jerusalém, D’us mandou uma mensagem ao rei, “o resto do povo” vai permanecer aqui. E qual o sinal de que isso iria acontecer? Porque ImanuEl, D’us está conosco.

Assim como D’us esteve conosco naqueles dias, ele permanecerá conosco para sempre. Como dizemos todos os dias no final de todas as nossas orações:

:אַל תִּירָא מִפַּחַד פִּתְאם וּמִשּׁאַת רְשָׁעִים כִּי תָבא
:עֻצוּ עֵצָה וְתֻפָר. דַּבְּרוּ דָבָר וְלא יָקוּם. כִּי עִמָּנוּ אֵל
“Não tenha medo do terror repentino, nem da tempestade que atinge os ímpios. Se eles formam uma trama repente, ele irá falhar. Se colocarem um plano, não vai prevalecer, porque Deus está conosco!