O sinal de Jonas que não se cumpriu

Analisando os relatos sobre a ressurreição.

Missionários alegam que muitos sinais foram cumpridos por Jesus, como ser descendente de David e nascer de uma virgem em Belém. Como vimos anteriormente, esses não são sinais que provam a identidade do Messias, como também os mesmos nunca foram apresentados por Jesus. Na verdade, Jesus sempre ficou acuado quando lhe pediam por sinais, e muitas vezes usou de milagres para tentar aprovar sua legitimidade.

Mas um sinal ele mesmo alegou que cumpriria:

Então alguns dos escribas e dos fariseus tomaram a palavra, dizendo: Mestre, quiséramos ver da tua parte algum sinal. Mas ele lhes respondeu, e disse: Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém, não se lhe dará outro sinal senão o sinal do profeta Jonas; Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra.” (Mateus 12:38-40).

Jesus aqui profetiza sobre sua ressurreição. Da mesma forma que Jonas ficou três dias e três noites no ventre do peixe, assim Jesus ficaria morto por três dias e três noites e depois reviveria. Quando os Judeus vissem que o sinal se cumpriu, saberiam que a profecia de Jesus foi verdadeira. Aí que a confusão começa.

Ao olharmos os supostos testemunhos sobre a ressurreição de Jesus, não encontramos um acordo entre os autores do Novo Testamento. Os autores dos evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) entram em conflito, em quase todos os detalhes, contra o evangelho de João. O que, aliás, não deveria acontecer em um livro inspirado por D’us.

De acordo com os sinóticos, Jesus após sua morte, ficou enterrado por 3 dias e 2 noites. Seus respectivos autores descrevem que Jesus morreu na sexta-feira antes do por do sol e reviveu no domingo pela manhã.

E, no fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.” (Mateus 28:1).

E, passado o sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo. E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol.” (Marcos 16:1-2).

E no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado, e algumas outras com elas.” (Lucas 24:1).

Todos eles concordam que foi no domingo de manhã que Jesus supostamente ressuscitou. Podemos ver então, que ele ficou somente 3 dias e 2 noites sepultado. Mas João discorda deles:

E no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro.” (João 20:1).

O autor do livro de João destaca que ainda estava escuro quando Maria Madalena chegou no sepulcro. O terceiro dia ainda não tinha nascido e ela já encontrou o túmulo vazio. Sendo assim, Jesus ficou sepultado por 2 dias e 2 noites.

Um detalhe que eu não queria deixar de passar. Se perguntarmos aos escritores dos evangelhos, quantas pessoas foram ao túmulo, qual seria a resposta?

Mateus: 2 pessoas “… Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.” (Mateus 28:1).

Marcos: 3 pessoas “…Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé…” (Marcos 16:1).

Lucas: + de 4 pessoas “…Maria Madalena, e Joana, e Maria, mãe de Tiago, e as outras que com elas estavam.” (Lucas 24:10).

João: 1 pessoa “…Maria Madalena foi ao sepulcro…” (João 20:1).

Parece que eles não conseguem concordar em nada. Como vimos pela confusão acima, não exite testemunho congruente pois não se sabe quem viu o que. Os evangelhos discordam sobre quem estava lá, o que eles viram e o que aconteceu depois. Enquanto que em Mateus e Marcos, as mulheres encontram um anjo na sepultura, em Lucas elas encontram dois homens e em João ninguém. De acordo com João, somente quando Maria retorna pela segunda vez é que ela vê dois anjos dentro do Túmulo.

Mas o ponto aqui é enxergar que o único sinal que deveria seria cumprido por Jesus, simplesmente não foi. Os autores falharam nesse detalhe ao inventar a história da ressurreição. O sinal que Jesus deu, na verdade não foi para provar que ele era o Messias, e sim o contrário, pois a Torá nos instruiu:

“Quando o profeta falar em nome do Eterno, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o Eterno não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele.” (Deuteronômio 18:22).